terça-feira, 20 de novembro de 2012

Pensamentos em uma sacada

Meu vô me chamou para observar o "movimento" da rua na sacada da Funerária onde seria o velório do meu tio-avô. E se eu gostava de alguma coisa , era observar.
Sabia que o mundo tinha parado para meu vô mesmo que não falasse nada. Orgulhoso do jeito que era , sabia de quem havia puxado essa minha característica.
Silêncio. Mas um silêncio bom , confortável.
Olhei o céu azul , prédios , carros ... o mundo não para , muito menos para os com o coração partido. 
Horas antes minha mãe estava no meu colo chorando , frágil e delicada como um passarinho de asas machucadas. Brincava com suas mechas de cabelo enquanto  consolava. Todo mundo gosta de ser cuidado. Eu sempre estava lá pelas pessoas mas nem sempre elas estavam lá por mim.
A casa de repente perdeu as cores e o clima ficou pesado. Ainda lembro de voltar sorrindo do corredor quando ali vejo minha família chorando na cozinha. Coisa rápida , 30 segundos no máximo. Irônico como esses 30 segundos mudaram a trajetória do meu dia.
E no meio de tudo isso sentia falta de um abraço de um amigo. O abraço dele fazia minha dor ir embora , eu sentia que o mundo parava - mas o mundo não para.
Acho que é verdade que só vemos a família toda em casamento ou velório.
Então não se enganem , queridos leitores: família é a verdadeira base de tudo.
Seus amigos são a família que você escolhe , constroem e tomam conta , mas lembrem-se sempre da família original , pois no final , família é família e eles sempre estarão lá por você.
Não vale a pena brigar por nada pois família não dura para sempre.
Os peixes do aquário pareciam filosofar comigo também.
Minha cabeça como de costume pensava em milhões de coisas entre memórias e planos.
E então fiquei ali com meu vô falando de todas as coisas que você puder imaginar menos do meu tio-avô.
Era e sempre será o nosso jeito de parar o mundo - mesmo que só na imaginação
xoxo
Stephanie

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